quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Opinião pública (dobradinha)


Algum dia aconteceria coincidir:

As alternativas existem, estão aí escritas, em livros, em artigos, discutidas em conferências e debates. Só não as conhece quem não quer. E a Democracia só funciona assim, com alternativas. Nada se ganha, em Democracia, por fazer crer que as eleições não servem para nada. A não ser que não se goste particularmente da Democracia.

Por exemplo, neste livro. 

  •  Na Comissão Executiva da ETV com Samuel Fernandes de Almeida e André Abrantes Amaral, num programa conduzido por Eduarda Carvalho.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Washington Beltway


Traduz-se bem para português pela pena do Eça de Queiroz e a voz do grande João da Ega:

“Lisboa é Portugal! Fora de Lisboa não há nada!. O País está todo entre a Arcada e São Bento.”

O resto aplica-se, tal e qual, sem necessidade de tradução ... Krugman, sempre ele:


Dan Drezner has an interesting article in Politico that’s framed as a rebuttal to Nick Kristof’s condemnation of irrelevant academics, but is actually much broader. Drezner argues that there are three tribes — money men, political insiders, and academics — each of which has its own strengths and weaknesses, and each of which would be well advised to listen to the others (but doesn’t).
One passage expresses extremely well what anti-austerians were and to some extent still are fighting against:
One of the Beltway tribe’s greatest strengths is also one of its greatest weaknesses: groupthink. As I noted before, a Beltway consensus actually counts for something in the world of international policymaking. That does not mean that this consensus emerges from any solid analysis, however. For example, a hidden cause of the enthusiasm for austerity in Washington that crested in 2010 was the consensus among foreign policy pundits that U.S. debt was spiraling out of control, rendering Washington vulnerable to foreign holders of U.S. Treasuries. This groupthink formed at the same time that the budget deficit as a percentage of output was shrinking at the fastest rate in American history. By the time the consensus had emerged, however, the change in the facts didn’t matter. Since the principal activity of Beltway folk is to talk to each other, the result is a feedback loop of confirmation bias that eventually leads to epistemic closure.
Yes indeed. When you tried to talk about the deficit, and why it didn’t deserve the crisis rhetoric, you ran up not so much against people who disagreed but people who thought that “nobody” shared your relaxed attitude; it was “Paul Krugman against the world.” I mean, surely nobody else was that crazy. Except that the anti-austerians were intellectual moderates, basically applying Econ 101, while the austerians were making up new economic doctrines on the fly to justify their groupthink.
Drezner also mentions that his own most influential publication was one making the obvious point that China’s ownership of a bunch of US bonds doesn’t give it leverage over America; a point people like Dean Baker and yours truly have also made. When you try to make this point to Beltway types, however, you encounter not so much disagreement as incredulity — “everyone” knows that China has immense power over us, “nobody” disagrees. Indeed, if you go to the link you’ll see that Dean was reacting to a news article that stated the Chinese power thing not as a dubious hypothesis but as simple fact.
The thing about this epistemic closure is that it’s highly resistant not just to analysis but to experience. Rarely in the course of human events has “everyone” been so wrong, and “nobody” so right, as in the case of the alleged deficit threat. Yet you will have a hard time finding anyone among the fearmongers acknowledging his wrongness, let alone engaging in some self-examination about why he was wrong. After all, he was only saying what everyone knew was true.



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Mens sana


O original é sobre homens e mulheres, numa perspectiva que não é agora a mais importante e que é, pelo menos, limitativa.

Importante é isto (truncado, mas espero que não estraçalhado), que fala do nosso tempo e da nossa urbe. E que vai muito para lá das relações românticas que dão mote ao texto original.

Vai ao que somos. Vê-se nos jovens e menos jovens. E é pior, muito muito pior que a troika, a dívida, ou mesmo "a percepção dos mercados":


"Nos dias que correm, já ninguém sabe o que quer. (...)

Já não há comportamentos errados. Perdeu-se a vergonha. Tudo é permitido, nada é censurado. Já não se seguem exemplos. Já não há a preocupação de ser melhor a cada dia. O mercado de valores e princípios anda pelas ruas da amargura  (...) 

No frenesim do dia-a-dia, o tempo livre é cada vez mais escasso e é passado entre o facebook e o chat do facebook, whatsapp, instagram, e-mail, internet. Na maioria dessas horas semanais que são gastas de “um lado para o outro”, nada se aprende, nada, rigorosamente nada. Mas é psicologicamente confortável e é também a garantia de que a consciência não vai aparecer para fazer julgamentos ou para impor um bocadinho de silêncio para a auto-análise."

Em tempo, e sobre coisas da Economia outra vez (ou então não):


And this cognitive difficulty is reinforced by herd behavior: you don’t want to be the guy shouting that the sky is falling when everyone else who matters is treating it as a minor correction at most.


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Isto em imagens é assim ...






Título do ano ...


Furtado daqui.

Temos de apreciar a nossa imprensa quando ela se esmera. A notícia só surpreende quem não acompanha estas matérias mas vale pelo título. As metáforas devem ser usadas com moderação, entre muitas boas razões, porque se podem virar contra quem as usa. É o caso ...

Indeed ...


there is indeed a problem with abstruseness, with the many academics who never even try to put their thoughts in plain language. 

(...)

Trying to explain what you’re doing intuitively isn’t just for the proles; it’s an important way to check on yourself, to be sure that your story is at least halfway plausible.

Krugman, claro (que entretanto dá aulas de borla para quem quiser aprender ... por exemplo, aqui)

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Do dever de fundamentação


Porque as decisões políticas em matéria financeira devem merecer a nossa atenção, face à opção tornada pública de contratar, por cerca de 5 milhões de euros a uma entidade estrangeira a manutenção de um dos submarinos que Portugal adquiriu (V. despacho) e atendendo à escassa fundamentação nele constante seria talvez de perguntar três coisas:

1) O Decreto-Lei n.º 33/2009de 5 de Fevereiro atribui à Arsenal do Alfeite, através de um contrato de concessão e em regime de exclusivo, a totalidade da manutenção dos navios da Marinha Portuguesa, incluindo os submarinos. A claúsula 2.ª n.ºs 2 e 3 do contrato de concessão exige que a contratação deste serviço a terceiros depende a ausência de condições para fazer no Arsenal, expressamente declarada. A fundamentação é, neste aspecto, omissa. Foi cumprida a lei?

2) Em 2009 a então Comissão de Contrapartidas dava conta de que a empresa fornecedora dos submarinos tinha "dos dois projectos com a Marinha, o projecto de apetrechamento da base do Alfeite já está concluído e o projecto da oficina de periscópios encontra-se em fase de conclusão". Afinal foram ou não instaladas as condições físicas necessárias e dada aos técnicos portugueses a formação prometida? Se sim, então pode fazer-se cá. Se não, então este é mais um incumprimento de contrapartidas. Quem esclarece?

3) Segundo o Relatório de Execução da Lei de Programação Militar de 2010, o Estado português gastou, só nesse ano, em “material para fornecimento logístico essencial à operação e manutenção dos Submarine Attack, Guided Missile” 6,45 milhões de euros, na “adaptação das estruturas do Arsenal do Alfeite e edifícios administrativos” mais 7,19 milhões de euros e investiu ainda na “transferência de tecnologia contratada, formação e treino, e fornecimento logístico essencial à operação e manutenção”.Se não é para conseguir cá fazer a manutenção, é para quê?

Podem existir muitas e boas respostas. O que se sabe é que não constam, e teriam de constar, da fundamentação daquele despacho.


Opinião Pública


Hoje, no Diário Económico, sobre a decisão do Tribunal Constitucional Alemão de remeter para o Tribunal de Justiça a questão do Programa OMT:


"resulta daqui, sobretudo, uma oportunidade para o Tribunal de Justiça se pronunciar não apenas sobre isso mas, muito mais importante, tão importante que dificilmente cabe neste texto, sobre se o mandato é mesmo (só) aquele."



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Opinião Pública


Hoje, no Conselho Consultivo da ETV.

Com a jornalista Sandra Xavier e Pedro Pestana Bastos, sobre a decisão do Tribunal Constitucional Alemão e o investimento chinês em Portugal.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Leituras avulsas


Inspirado daqui. Não temos, todos, de estar sempre a pensar em 140 caracteres, ou ainda menos, numa daquelas citações sobre imagem bonita que há para todos os gostos, de tal maneira que encontramos sempre uma que nos diz que estamos certos. Há lugar para tudo na vida, mesmo para o que não é Direito, nem Economia, nem nada que se pareça:

Rachel Aviv: The Scientist Who Took on a Leading Herbicide Manufacturer

Para além da substância, que é muito interessante, ele há generalizações que ressoam:

"In academic settings, it seemed to him that his colleagues were operating according to a frivolous code of manners: they spoke so formally, fashioning themselves as detached authorities, and rarely admitted what they didn’t know."


A Funny Video That Makes You Never Want To Fall For This Natural Lie Again

I am guilty of seeing a label with a cute little barn, green packaging, maybe a few farm animals, and the word "natural" on it and thinking, "Yeah, this seems like the healthy option!" — all while blissfully ignoring the list of ingredients and reality.


What sets humanity apart

Cooperação e saber cozinhar. Aparentemente, é o que basta para explicar a singularidade da evolução humana ...

When I Was Young 
at Yale 

A ideia, muito comum, de que na Academia a mudança só se pode fazer se alguns autorizarem. Não é, sempre, verdade:

“There’s nobody here,” he said again. Then, to clarify matters—though surely they should have been clear enough: “There’s nobody senior.”

How could the news be different? And are we headline junkies? 

Sim, somos. E esse é um dos problemas com a imprensa de hoje ...

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Uma política monetária que cria desemprego


Basta ver a diferença entre o desemprego na Europa dentro e fora da zona:

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Opinião Pública


Na ETV, com Miguel Félix António, André Abrantes de Amaral

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Across the pond



Inveja é coisa feia. Mas às vezes também serve de motivador. É possível definir e comunicar políticas públicas assim.


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os défices ... e são muitos



Para jurista perceber é melhor ir ao essencial.

1) O défice ficou abaixo do previsto? Resposta curta é: sim. E é esta que o Governo está a usar. O acordado com a troika era 5,5% e ficaremos em cerca de 4,4%. Mas essa é a medida só para a troika. Pelas regras de Bruxelas (contabilidade nacional), que é o que sempre tivémos de cumprir o défice é um pouco menos favorável, devendo rondar um pouco mais de 5%. Em contabilidade pública pior ainda.

Em Março de 2012, já com três revisões do Memorando e sem que se possa alegar o que quer que seja, previa-se que o défice em 2013, pela medida da troika, ficasse em 3%. Em junho de 2012 previa-se que não excedesse 4,5%. Em Outubro, 5%- e o mesmo em Dezembro. Só depois da famigerada sétima avaliação é que os valores subiram para os tais 5,5%. Portanto, ficámos abaixo? Ficámos. Abaixo de uma previsão que entre Março de 2012 e Março de 2013 foi "corrigida" de 3% para 5,5%.


2) Como? Porque a receita aumentou brutalmente: A receita fiscal líquida do Estado em 2013 ascendeu a € 36.252,5 milhões, o que corresponde a um aumento de 13,1% face a 2012. Este forte crescimento representou um aumento de € 4.211,8 milhões face à receita fiscal de 2012.


3) Por causa do perdão fiscal? Não: apenas 3% corresponde à receita obtida com o regime de regularização excecional de dívidas fiscais e à Segurança Social (RERD23).

4) Mas quem pagou mais impostos afinal? Nós. A receita líquida do IRS em 2013 cresceu 35,5% face a 2012. 

5) E quanto é isso? Simples, a receita fiscal aumentou no total de 32.040,6 mil milhões para 36.252,5 mil milhões, isto é, um pouco mais de 4 mil milhões, dos quais 3,3 mil milhões do IRS (quadro 14).

6) E a despesa? Caiu a pique? Não propriamente: A despesa da Administração Central e da Segurança Social e a despesa primária cresceram 3,8% e 4,6% em termos homólogos.

7) E quanto é isso? Bom, em contabilidade nacional o défice o ano passado foi de 7.134,6 mil milhões e este ano de 8.730,9 mil milhões (quadro 1)

(Dados, em itálico, todos eles, oficiais ... é ir confirmar)

Nota medodológico-filosófica: Quando a execução orçamental começou a ser mensalmente publicado no ano de 2001 tinha entre 15 a 20 páginas. Actualmente tem mais de 70. Mais e melhor informação? Sim e não. Temos é, seguramente, muito mais confusão. Só critérios contabílisticos são três. O de contas nacionais (que é o europeu), o de contabilidade pública (que é o nacional) e o que a troika aplica e que não é nenhum dos outros dois. Junte-se a isto as operações extraordinárias  que ora são contabilizadas (porque aconteceram) ora são retiradas (para se poder melhor "comparar" dois anos) e é quase impossível navegar o documento. Quase ...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Opinião Pública


Uma conversa com Nuno Serra sobre o período pós-troika e a negociação de um programa cautelar para Portugal, num debate conduzido por Ruben Bicho:

"Portugal chegou a esta crise com um modelo económico que já estava esgotado"

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O mundo ao contrário


Nos mercados está a faltar a chamada racionalidade económica.

Algo de muito errado se passa quando a República paga a 5 anos 4,6% e uns dias depois um Banco, privado, paga 4%. Eu cá não sei explicar mas acho que não é por falta de estudo ... 
 
BES paga juro de 4% para emitir 750 milhões de euros em obrigações a cinco anos

Coisas que merecem uma pergunta




Se no mercado secundário, hoje, no prazo de cinco anos, os juros negociavam-se a 4,038%, porque é que foi um "sucesso", a semana passada, colocar 3.25 mil milhões de euros no mercado primário a 4,6%?

Profissionalismo


Ou o inverso dele:

Finanças em silêncio sobre dúvidas nas contas do Plano B

Encaixe com a nova CES é metade do prometido pelo Governo

Afinal a nova CES atinge mais 142 mil. Governo esqueceu-se dos pensionistas da Segurança Social