quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Pode haver ironia em excesso?
Pode:
Defensores da austeridade sofrem de amnésia. Os governantes responsáveis pela austeridade ignoram o que ensina a história de crises anteriores, dizem Ken Rogoff e Carmen Reinhart num artigo publicado esta semana pelo FMI.
domingo, 22 de dezembro de 2013
Os mercados e as decisões do Tribunal Constitucional
Dia 19 o Tribunal chumbou medidas que, disseram-nos, eram essenciais para ganhar a confiança dos mercados. Portanto, como é evidente, o prémio de risco das obrigações portuguesas só podia subir.
Isto era se houvesse alguma relação. Já se provou antes, prova-se mais uma vez, não há. O juro até desceu um pouco na sexta (Bloomberg). E ninguém pergunta sobre isto?
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Coisas que nos devem preocupar
Dados do INE (fonte). Dados originais por NUTS, agregados para todo o País e por anos, desde 2004. Já vinhamos em perda ligeira, mas as exportações de bens de alta recnologia colapsaram desde 2008 de mais de 6% para cerca de metade.
Não diz nada de bom para um País cujo modelo económico, se é que se pode chamar isso a declarações vagas e bem intencionadas, é exportar cada vez mais.
Face a este gráfico, fica a pergunta. mais o quê? Batatas (bom, se calhar ...). Mas é isso mesmo que acreditamos ser uma saída para o País?
Matemática para jornalistas
O Orçamento de Estado para 2014 foi votado na suposta versão final a 26 de Novembro (parlamento).
Hoje, vinte e um dias depois (vinte e um!) terá chegado a Belém para promulgação, pedido de fiscalização preventiva ou veto.
Título escolhido por alguma imprensa: Orçamento de Estado já chegou a Belém. Já???
Melhor andou o Diário Económico: Orçamento do Estado só seguiu hoje para Belém.
Vinte e um dias perdidos a fechar uma redacção que supostamente devia ter ficado fechada no dia 26 de Novembro, que foi quando se votou o texto.
Numa situação em que o Presidente só tem 20 dias para analisar o diploma. E que, salvo urgência, um eventual pedido de fiscalização preventiva (que tem de acontecer nos primeiros oito dias daqueles 20, depois disso ou há promulgação ou veto político) tem 25 dias para ser decidido pelo Tribunal Constitucional.
E depois o problema seria algum destes órgãos usar os seus prazos? Vinte e um dias para ir de S. Bento a Belém ... nem a pé.
E é nisto que andamos ...
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Disclaimer
A partir de hoje assino por inteiro as Opinões Públicas, com duas filiações que muito prezo, a juntar à de jurista, que sou desde que percebi que o Direito ia muito para lá das leis: a mais antiga, de docente da Faculdade de Direito de Lisboa e a mais recente, de integrante do Centro de Investigação em Direito Europeu, Económico, Financeiro e Fiscal (que sucede ao IDEFF).
Obviamente, nada disso preclude que, como desde sempre, os disparates que cada um escreve só a cada um responsabilizam e nenhuma das duas instituições, felizmente, se pode considerar vinculada pelo ora escriba.
E como estas coisas não cabem na Imprensa, ficam aqui ...
Opinião Pública
No Diário Económico de hoje, sobre a "reforma" do IRC:
É má política, e é má política financeira. A reforma do IRC, convém lembrá-lo num País com pouca memória tem um impacto principal (segundo dados do BPI Equity Research): mais 2,8 mil milhões de euros na avaliação das cotadas portuguesas. Quem paga isto? Todos nós em mais IRS e IVA e em cortes na despesa social. Aliás, como já andamos a pagar.
sábado, 14 de dezembro de 2013
Key insights
Diz-se de ideias simples que ajudam a descodificar matérias muito complexas. Ver com clareza para lá do ruído, nomeadamente o mediático e o político.
Exemplo do dia: "There’s no mystery here; it’s just top-down class warfare as usual."
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Fact checking
Ainda houve uns jornais que fizeram ensaios disto. Dará muito trabalho, é certo, e se calhar não "vende".
Mas ele há casos em que o trabalho de casa até já está feito. Exemplo:
A declaração:
Passos acredita numa “descida significativa” dos juros da dívida se TC der luz verde às medidas do Governo
Os factos:
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Divergência
Entre 2010 e 2012, o nível de vida em Portugal registou uma redução significativa face à média da UE, diminuindo de 80,4% para 76%.
E o indicador de consumo individual (que mede a capacidade de fazermos face às nossas necessidades, e que inclui prestações sociais) cai ainda mais, de 84% e, 2010 para 77% em 2012.
Para quem quiser ver os números na publicação original, estão aqui.
A ser verdade é de uma gravidade extraordinária
Carlos Costa vetou escolha para economista-chefe do Banco de Portugal
"As razões do Governador prendem-se com esse passado, mas sobretudo com intervenções públicas recentes do economista, artigos e entrevistas em jornais, textos e palavras críticas em relação a diversas opções do Governo.
Um comportamento que é visto como uma violação do dever de reserva a que está obrigado um diretor-adjunto do Banco de Portugal."
É nestas alturas que temos de questionar se é para isto que serve a independência dos reguladores. Para dar cobertura a perseguições por delito de opinião?
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
non sequitur
Os representantes da 'troika' reconhecem as afirmações de Christine Lagarde, que já admitiu o "erro" relativamente aos efeitos da austeridade, mas dizem que o programa de ajustamento é para manter.
Mas de caminho, pelo sim, pelo não, "os elementos da 'troika' deixaram implícita a ideia de que a responsabilidade é do Governo português".
Está errado mas é para manter. Notável ...
A recessão acabou (cont.)
E se acabou foi porquê? Foram as exportações? Isso seria um bom sinal, claro. Mas terão sido mesmo? Bom, se já está explicado, escusamos de inventar (tem gráficos e tudo):
Infelizmente, este aumento do peso das exportações no PIB em relação ao passado imediatamente pré-crise tem uma explicação muito simples, e que não é particularmente virtuosa: a queda do PIB.
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
A recessão acabou?
Tecnicamente, sim ... dois trimestres seguidos com o PIB a subir, dados oficiais.
É altura de deitar foguetes? Infelizmente ainda não, por isto:
1) O crescimento no trimeste anterior tinha sido de 1,1%. Neste foi de 0,2%. Ainda não afastámos um cenário de double dip recession. E com a entrada em vigor do OE 2014 podemos muito bem vir a asistir a um colapso da procura interna;
2) Em termos anualizados o PIB ainda está a cair, no caso 1%.
3) Este "crescimento" anémico não está a gerar empregos. Nenhuns.
Três notas sobre os Estaleiros Navais de Viana do Castelo
Na generalidade das análises feitas aos ENVC há milhões de pequenas coisas que são mal compreendidas, o que se percebe.
Trata-se de um processo muito técnico, relativo a uma empresa complexa inserida num sector muito específico e cuja história é longa e pautada por excessiva exposição mediática e pouco trabalho de casa de quem sobre ela se pronuncia.
E, por essas e outras razões (declaração de interesses: exerci, de 05.01.2009 a 12.08.2011, várias funções na EMPORDEF, que detém, entre outras, a participação do Estado nos ENVC), vamos só aos 3 mitos mais frequentes:
1) É preciso devolver 181 milhões de euros de Ajudas de Estado
Para aí 90% das notícias parecem presumir que. como o processo está a ser analisado em Bruxelas, a devolução do dinheiro é devida à Europa. Não.
A ser devida (e ainda estamos longe de uma decisão dessas) a devolução seria ... ao Estado Português. Sim eu sei, parece ilógico mas é mesmo assim.
Se Bruxelas concluir que as ajudas são ilegais os ENVC, que são do Estado, têm de devolver ao Estado 181 milhões de euros. Sai de um bolso e entra noutro. Não faz sentido? Pois não. Mas serve para criar uma imagem favorável às opções que entretanto se tomaram.
2) Os auxílios de Estado foram "obra" do Governo de José Sócrates
Este mito já foi desmontado (ver este excelente artigo) e explica-se com base neste quadro (roubado no mesmo sítio) que consta do processo oficial da Comissão Europeia:
Pela consulta do mesmo processo (aqui, pontos 17 a 19, página 5, também lá encontram o original do quadro) que os empréstimos de 2006, 2008, 2010 e 2011 têm uma justificação, que vai até para lá da que foi dada oficialmente e o aumento de capital está justificado com o cumprimento de um dever legal (capitais mínimos).
Restam os mais de 100 milhões de 2012. Da responsabilidade do actual Ministro.
Que não têm explicação "oficial" porque a explicação é esta: como os ENVC estavam cada vez mais em dificuldades o Ministro decidiu garantir a Banca, transferindo os empréstimos daquela aos ENVC para empréstimos à EMPORDEF, que tem maior capacidade de pagamento mas é uma empresa pública. Logo, quando a EMPORDEF empresta aos ENVC, temos um auxílio de Estado. Quando a Banca emprestava não. Simples.
Para salvar a banca do risco dos ENVC converteram-se empréstimos privados em Ajudas de Estado. E depois essa argumentação serve para dizer que o actual modelo é inevitável. Simples, mas ninguém parece perceber o que se passou.
3) O Plano de reestruturação aprovado pelo Governo anterior (só) previa despedimentos
O plano de reestruturação de 2011 que o Ministro Aguiar Branco não quis previa uma redução de pessoal por saída voluntária, nomeadamente reformas e rescisões por mútuo acordo (e não só despedimentos, como se diz) e, só se assim não se conseguisse equilibrar a empresa, então sim poderiam ocorrer alguns despedimentos pontuais.
Mas salvavam-se pelo menos 400 postos de trabalho. E a empresa. Agora salvam-se 0 postos de trabalho e a empresa encerra.
Isto é importante porque o modelo da reestruturação de 2011 suscitava, na opinião dos técnicos do Ministério das Finanças à data, menos problemas com a Comissão Europeia, uma vez que a privatição (parcial, mantendo o Estado uma participação na empresa) ocorreria depois do saneamento da empresa e sem assumpção do passivo pelo Estado.
É pedir o processo administrativo ao Ministério das Finanças, coisa que qualquer cidadão pode fazer se lhe apetecer e um jornalista tem o dever deontológico de fazer. Mais não seja para não perpeturar o spinning que aí anda ...
Numa nota final: os contratos que a empresa tinha com a Marinha foram rescindidos por este Ministro sem indemnizar a empresa. Essa indemnização não foi paga, como seria a qualquer outra empresa com quem o Estado tivesse compromissos. Porquê? E, já agora, porquê rescindir?
Ideologia e Constituição
Há quem acuse de radicalismo a denúncia de radicalismos.
Dizer que a Constituição tem de ser revista porque pretende impôr uma sociedade sem classes de tipo socialista, versão comunismo albanês, é uma posição radical, porque propõe mudar o que já não é.
A CRP hoje, depois das revisões de 82 e 89, para referir apenas as primeiras, é muito diferente da que então foi aprovada.
É óbvio que discutir a Constituição e, especialmente, a Constitução Económica, é matéria com ressonâncias ideológicas evidentes. Tal não deve assombrar quem estuda estas matérias.
Ideologia, política e, se preciso for activismo, não são nem podem ser expressões pejorativas.
Aceitemos, pois, que é de idelologia que se trata (com aqui se faz, e muito bem) e continuemos a conversar.
domingo, 8 de dezembro de 2013
Das relações entre o poder político e o económico
Em Portugal, os agentes políticos estão tão desacreditados que ninguém questiona o porquê de os agentes económicos (não é caso único, é só o mais recente) dizerem coisas destas:
"Gostaria de ver um acordo entre PS e PSD a dez anos"
Gostava de ver o que não diria o autor da frase se o Ministro da Economia viesse dizer:
"Gostaria de ver um acordo entre os accionistas da Jerónimo Martins a 10 anos".
É que entre uma coisa e outra a diferença está só mesmo na cabeça dos nossos gestores que acham que o sucesso na gestão os habilita a serem paternalistas com os políticos e, de caminho, com os portugueses.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)


