quinta-feira, 14 de novembro de 2013
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Jogo de soma nula
Em tempos de restrição orçamental mais do que nunca o financiamento de políticas públicas é uma dor de cabeça e, muitas vezes, um jogo de soma nula.
Para baixar o IRC às empresas, por exemplo (uma medida, já agora, expressamente não prevista no Memorando) esse dinheiro terá de vir de outro lado (desde logo mantendo e recendo em alta o enorme aumento de IRS).
Poucas vezes somos confrontados no mesmo dia com ambas as informações, normalmente é preciso andar à procura delas. Assim, limpinho, escolhas políticas legitimas mas que é bom que se assumam e expliquem:
19,4 milhões para quem tiver filhos em colégios privados
Educação Especial perde mais de 14 milhões
domingo, 10 de novembro de 2013
Revista de imprensa
Ser levemente eclético para não dizer mesmo diletante pode ser defendido como uma coisa boa (e ainda bem):
Master of many trades: Our age reveres the specialist but humans are natural polymaths, at our best when we turn our minds to many things
Há aquelas coisas em que nenhum de nós quer pensar: mas se os drones matam pessoas alguém tem de "premir" o gatilho. Tirando o que significa para todos nós como sociedade que estas máquinas existam, sema usadas como são e estejam a caminho de ser "autónomas" já não só em voo mas, mais dia menos dia, para a decisão de matar, como será para um operador destes aparelhos pousar a cabeça na almofada à noite? Será que o uso de visão infravermelha que gera silhuetas sem
Confessions of a Drone Warrior
Um artigo que se nega a ele próprio. É possível ler, sustendada e detalhadamente textos longos e complexos hoje em dia, e não só em livros:
We read plenty, but it’s mostly skimming online news and compressed Twitter or Facebook messages.
Duas razões para ler: o valor de entretenimento (é sempre divertido ver david contra golias e alguiém fazer cair um mito, está na natureza humana) e um talvez mais importante, perceber que a tentativa de "objectivar" as ciêncais sociais, recorrendo a números e fórmulas e afins é uma cedência a que tudo tem de ser quantificável e demonstrável. Balelas ... é o mesmo que recorrer à teologia para explicar a evolução do homem (mau, mau exemplo ...):
A plucky amateur dared to question a celebrated psychological finding. He wound up blowing the whole theory wide open.
Inequidade na distribuição de rendimento. Para muitos (eu) um problema central. Mas há quem ache que nem tanto:
Average Is Over—But the American Dream Lives On
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Opinião Pública
O Governo anunciou que a Egrep, empresa responsável pela gestão das reservas estratégicas de combustíveis, vai passar a Entidade Nacional para o Mercado dos Combustíveis, com uma função fiscalizadora do sector.
O grau de incoerência e insustentabilidade, do ponto de vista dos argumentos, desta opção é tal que se torna difícil fazer mais do que enunciar questões. Vamos a elas:
O resto esta aqui: http://economico.sapo.pt/noticias/o-paradigma-do-que-nao-se-deve-fazer_181203.html
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Antecipando
Uma opinião que será pública amanhã, não consigo deixar de reparar que o novo regulador dos combustíveis tem este CV:
Secretário-Geral da Associação Portuguesa de Produtores de Biocombustíveis,
CEO da Prio Biocombustíveis-Grupo Martifer, Lisboa
CEO da Pio Biocombustibli- Grupo Martifer
IBEROL (biocombustíveis)
Não dispensando, claro, a passagem pelo lado "glamour" da Finança, Merril Lynch incluida e operações de financiamento e cobertura de risco, vulgo "swaps" (os swaps hoje em dia têm mau nome, mas não são todos maus rapazes, refira-se).
O CV é excelente. Tomara muitos. Para uma GALP, uma BP, uma REPSOL.
Mas para o regulador? Que pergaminhos ou experiência em gestão do sector público? Definição de políticas públicas? Cumprimentos das regras de transparência próprias dos contratos públicos e afins? Garantias de isenção? Distanciamento face ao sector? Capacidade de definição e defesa do interesse público?
Ninguém pensou nisto? A pior resposta é: sim. E não viram problema algum. A má só é: não, não viram ... Se há uma boa não estou a ver.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
Números com pessoas dentro
No estudo e desenho de políticas públicas os números são essenciais: quanto custa? quem paga? que efeitos tem? a relação custo-benefício é posítiva? E por aí ...
Mas o desenho de boas políticas públicas não pode nunca esquecer que estes são números com pessoas dentro. Não pode mesmo:
Mães entregam filhos a instituições por causa da crise
terça-feira, 5 de novembro de 2013
Do que é que estamos à espera?
É oficial: a zona Euro está a ser empurrada para um cenário deflacionista. Dados de ontem do Eurostat (aqui) mostram uma tendência assustadora: De Junho para cá a inflação anual caiu de 1.6% para 1.3%, depois para 1.1% e agora para 0.7%.
Em 6 meses é obra. O BCE, como escrevi há umas semanas em dois dois textos tem não só os poderes para atalhar esta situação como o dever de os exercer:
Literalmente, o que o tratado diz é que, desde que não se comprometa o objectivo de estabilidade de preços (no médio e longo prazo, acrescentamos nós) o BCE tem como mandato, não como opção que livremente exercerá, mas como uma obrigação que sobre ele impende, contribuir para a prossecução dos fins da União fixados no Artigo 3.º do Tratado da União Europeia.
Logo, se o objectivo primordial está atingido, o BCE não só pode como deve tentar contribuir para a realização dos demais objectivos. Assim, uma política monetária seja ela "convencional" ou "não convencional" mais agressiva indexada, por exemplo, como fez recentemente a Reserva Federal Norte-americana, a um dado objectivo de baixa do desemprego, é não só permitida como imposta pelos Tratados.
E concluia perguntando:
É mesmo caso para perguntar:"What will it take for economists, let alone policymakers, to accept reality?"
Mais do que a realidade ela própria, pelo que se vê.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Medir emprego/desemprego
Anda por aí uma discussão sobre se a variação postiva na taxa de desemprego pode ou não ser desvalorizada por duas razões:
1) Os empregos criados são dos que "não interessam" a uma Economia saudável, o que parece pacífico uma vez que o ordenado médio dos novos empregos é muito baixo;
2) que o desemprego não está a cair, porque na realidade o que está a baixar é o número de pessoas desempregadas mas à procura de emprego, muito porque estão a sair do país pessoas em idade activa a um ritmo que não se via desde 1968 (o que em si mesmo já é preocupante, mas voltemos ao nível de desemprego) o que não é aceite por todos.
A alternativa? É evidente, começar a olhar para outro número. Os números de desemprego são demasiado conhecidos, politizados e complexos (os desempregados em formação que não contam, por exemplo, um exemplo entre tantos).
Melhor mesmo é perguntar: quantos empregados há? Quantas pessoas emprega a Economia? É que aí não se colocam dúvidas sobre o cálculo.
Via pordata:
A Economia não suportava tão poucos empregos desde 1997, isto tendo em conta os números de 2012. Com uma estimativa grosseira, em 2013 devemos fechar o ano com um nível de emprego gerado de menos umas dezenas ou mesmo uma ou duas centenas de milhar. Números muito próximos da década de 80. De 80.
Só pode dar que pensar.
Alemanha: Mitos e realidades
O mito é o de que a Alemanha já fez tudo o que agora nos exige em termso de "austeridade". É mentira, a Alemanha passou foi a década de 90 a absorver a Alemanha de Leste em termos económicos e é por aí que vêm ganhos de competitividade e capacidade de exportação (os salários a leste ainda são, mais de 20 anos passados, mais baixos).
Este gráfico, tirado daqui, seria ainda mais elucidativo se mostrasse a data da queda do muro de berlim. Sim, foi ali em 1989, mesmo antes do "afundar" do saldo posítivo da balança corrente alemã. Que só recupera, e de que maneira, depois da introdução do Euro.
A Europa, toda ela, suportou os custos daquela década díficil, canalizando para a Alemanha dinheiro sob a forma de fundos estruturais e beneficiando com uma série de regimes excepcionais em matéria de regras europeias (dos auxílios de Estado à abertura de certos mercados à concorrência).
A memória é uma coisa importante:
sexta-feira, 1 de novembro de 2013
Opinião Pública
Hoje na Económico TV, contranatura para quem sempre preferiu a palavra escrita.Com André Abrantes Amaral com quem é sempre útil trocar ideias e que, confirmo, não é o autor da frase em destaque no vídeo.
quinta-feira, 31 de outubro de 2013
Vender jornais ou pensar duas vezes?
Vender jornais, claro:
Euribor mais alta dita novo aumento da prestação da casa
E que subida é essa? A taxa da euribor a seis meses subiu 0,018% ou, em dinheiro, mais 0,60€ mais ou menos por mês por cada 100.000 € a 30 anos. Uma bica por mês.
Mas escrever um título que em vez daquele "novo aumento", que assusta porque parece que há aqui uma tendência imparável (e não há, como a própria notícia esclarece "(a)s taxas continuam mais baixas do que há um ano") dissesse "pequeno aumento" ou um "aumento médio de menos de 0,25% no montante da prestação" se calhar vendia menos.
A informação está lá toda e correcta. O título é que não se explica.
Haja paciência
Muita paciência:
“Se não baixarmos os impostos a economia não tem futuro”, diz Álvaro Santos Pereira.
A Reserva Federal Norte-Americana explica à Europa quem tem de mudar de vida
E não somos (só) nós:
Euro a rea deficit countries have sharply reduced their current account deficits, but euro a rea surplus countries have not reduced their current account surpluses. (...)
To ease the adjustment process within the euro area, countries with large and persistent surplus need to take action to boost domestic demand growth and shrink their surpluses . Germany has maintained a large current account surplus throughout the euro area financial crisis, and in 2012, Germany’s nominal current account surplus was larger than that of China.
Germany’s anemic pace of domestic demand growth and dependence on exports have hampered rebalancing at a time when many other euro - area countries have been under severe pressure to curb demand and compress imports in order to promote adjustment.
The net result has been a deflationary bias for the euro area, as well as for the world economy. (...)
The EU’s annual Macroeconomic Imbalances Procedure, developed as part of the EU’s increased focus on surveillance, should help signal building external and internal imbalances; however, the procedure remains somewhat asymmetric and does not give sufficient attention to countries with large and sustained external surpluses like Germany.
Fonte: Report to Congress on InternationalEconomic and Exchange Rate Policies (via Ladrões de Bicicletas)
Perguntar não ofende ...
Quanto valem afinal os CTT?
Contas do autor, com as quais só não concordo na parte das responsabilidades de saúde são assim:
1) 220 milhões de euros que os CTT detêm em depósitos líquidos;
2) 100 milhões de euros que a empresa liberta anualmente.
Conclusão, nos próximos 10 anos os CTT valem para o Orçamento qualquer coisa como 1000 milhões. E daqui até à minha reforma qualquer coisa como 4 mil milhões e uns trocos. E vamos vender por quanto mesmo? Se fosse em nossa casa fazíamos este negócio?
Estima-se que o preço base da dispersão em Bolsa avalie a empresa em 400 a 600 milhões de euros. Bom negócio? Para quem comprar depois em condições que não se conhecem o bloco de 30% que vai dar direito ao controlo da empresa, sim. Para quem comprar acções, aparentemente também.
Para o Estado? Bom, vale a pena fazer a pergunta. Só não se diga que não é uma opção político-ideológica. Nada de errado com elas, convém é assumi-las. Até para que quem discordar possa também dizer ao que vem.
Riscos no Orçamento para 2014
O maior risco para a execução do Orçamento em 2014 não está no eventual chumbo de algumas das medidas de austeridade. O risco, para o País, o Orçamento, a Economia e o próprio Governo está em esse chumbo não acontecer.
Como explicou Manuela Ferreira Leite: “Se eu estivesse no Governo e fosse responsável por este Orçamento rezava todas as noites para que o Tribunal Constitucional (TC) chumbasse umas tantas medidas”. Porquê? Porque “ficava bem vista perante a troika e os credores porque tinha tentado tomar todas as medidas possíveis e imaginárias e simultaneamente não tínhamos efeitos de medidas absolutamente lesivas do interesse nacional e do progresso e do crescimento”.
No fundo, como diz António Rebelo de Sousa, é isto: "Fazendo um apelo à razão, algo terá que mudar. Como diria Fernando Pessoa, a compreensão está a meio caminho entre a fé e a crítica.".
Quanto ao guião da "reforma" do Estado, bem, depois do ciclo noticioso será remetido ao seu lugar natural: a irrelevância.
Felizmente, aqui e ali lá vamos vendo algum bom-senso em denunciar situações incompreensíveis: Dívidas dos pais não devem impedir estudantes de ter bolsa de estudo.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Primeiras notas de leitura
Confirma-se o que se antevia, acrescem privatizações, nomeadamente transportes e água, reguladores menos próximos e menos vigilantes, etc.
Registo importante: não se conseguiu evitar a tentação de continuar a olhar para o passado, o que é pouco útil e o documento não tem um único número em termos de projecção macro-económica que seja novo, o que seria muito útil. Para além dos repescados da proposta do OE para 2014, isto é ...
Mas cada um lerá.
Tópicos sobre a reforma do Estado
Em termos de políticas públicas, há muito o que estudar mas uma direcção clara: cheque-ensino, plafonamento da segurança social, reduzir ainda mais o tamanho do Estado, com menos impostos e mais liberdade para os agentes económicos.
Sem conhecer (ainda) o documento é díficil ir mais longe mas há aqui, para o bem e para o mal, uma linha ideológica que se pode identificar. É é tudo menos gradualista ...
Para quem conhece a tradição política americana parece a agenda Republicana tradicional (não a destes dias). Sempre nos dá um referencial de discussão interessante. Era bom que o documento contivesse os dados que a propiciem efectivamente.
Contra voluntarimos e "achismos"
Resta estudar.
Melhor dito: "gut feelings are no way to deal with a once-in-three-generations economic crisis"
E agora em imagens (clicar para aumentar):
Não resulta. Repetir três vezes.
segunda-feira, 28 de outubro de 2013
Opinião Pública
Em declarações publicadas pelo Económico Teixeira dos Santos, diz: “Este tipo de orçamento deveria ter sido (…) o orçamento apresentado em Outubro de 2011 para o ano de 2012. O orçamento de 2012 centrou-se muito numa redução de despesa com os funcionários, no corte do 13º e 14º mês”.
Lê-se e relê-se e apetece perguntar, como aqui se faz, importa-se de repetir?
domingo, 27 de outubro de 2013
Foice em seara alheia
Costuma dar asneira. E nem os homens de Deus estão isentos:
Sem ajuda só haveria dinheiro para mês e meio
Haja paciência ... e agora vou escrever sobre Teologia exegética e Hermenêutica bíblica com o mesmo conhecimento de causa e utilidade prática.
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