domingo, 24 de março de 2013

Infeliz?



FMI diz que evolução do desemprego em Portugal é “infeliz” 

Infeliz é o que se diz de um acontecimento fortuito e que não era possível evitar. Não é o caso.

Marco Capitão Ferreira

sábado, 23 de março de 2013

Problema colectivo


Ao ler isto lembrei-me logo disto.

Este País tem um problema de memória selectiva. E, por isso, contradiz-se em público sem pudor nem remorso. Não é, naturalmente, monopólio de nenhum dos partidos.O que é ainda pior. É endémico.

É, também, sinal de falta de maturidade da nossa imprensa que seja possível que seja possível fazer estas coisas e ficar impune.  

Marco Capitão Ferreira

sexta-feira, 22 de março de 2013

Entretanto, na realidade (II)


Boletim de Execução Orçamental de Fevereiro ... não está bonito.

Este quadro explica porque é que a execução orçamental vai ser um desastre (do Público):


Marco Capitão Ferreira

Entretanto, na realidade ...


Há 24 meses consecutivos que o indicador coincidente da actividade, que enquadra a evolução do Produto Interno Bruto (PIB), está em terreno negativo. A queda está a abrandar, mas dura já há dois anos e é a mais longa desde, pelo menos, 1978, quando o Banco de Portugal (BdP) começou a registar estes dados.

Marco Capitão Ferreira

O lugar à política


Como o Chipre tem mostrado e Portugal vai mostrar também, a solução das crises económicas é um assunto demasiado importante para ser deixado aos economistas (parafraseando).

Escrevi ontem que o Governo não tinha Plano B. Tive a sorte do contexto.

Desde aí, soube-se que a decisão do Tribunal Constitucional está iminente e é expectável que seja, pelo menos parcialmente, desfavorável ao Governo. Embora também se deva dizer que entre o relatório preliminar e o acórdão não é inédito que existam diferenças substanciais. Teremos de esperar para ver.

O PS entendeu juntar a essa dificuldade uma moção de censura. O PS apresentou duas moções de censura nos últimos 30 anos. Duas. Não é um facto menor.

E o País entrou em convulsão porque José Sócrates vai voltar a falar, depois de quase dois anos de um estrito silêncio. 

Vêm aí tempos interessantes. E complicados. As Finanças públicas que se cuidem.

Marco Capitão Ferreira

quinta-feira, 21 de março de 2013

A necessidade estimula a imaginação


Chipre cria fundo de investimento para assegurar resgate

Duas dúvidas:

1) sendo o fundo do Estado, como se contabiliza a receita? Nomeadamente, abate ao défice? E à divida?

2) Supondo que abate pelo menos à dívida, porque é que outros países (nós) não podem fazer o mesmo? 

O inexistente plano B


Passou algo despercebido na habitual confusão do ruído mediático.

A "folga" que o Governo tinha para acomodar uma eventual decisão desfavorável do Tribunal Constitucional esfumou-se por via do agravamento do cenário macro-económico. Aliás, já não chega para o tapar. Essa folga, convém recordar, consistia na aplicação já em 2013 de uma percentagem do corte de 4 MM€.

Logo, já não há plano B

Bem pode o Ministro das Finanças agora vir dizer que  "não faria sentido ter planos de contingência para estas eventualidades". A verdade é que havia, e reflectiu-se numa série de opções legislativas, nomeadamente em sede de decreto-lei sde execução orçamental.

Simplesmente, as coisas estão a correr tão mal que se teve de usar o Plano B só para começar a lidar com novo desvio nas contas públicas.

O que aquela declaração quer dizer, e aqui há que assumir a especulação, é que não há Plano B porque o Governo não tenciona gerir as consequências de um eventual chumbo. Ponto.

Marco Capitão Ferreira
 

terça-feira, 19 de março de 2013

Um pequeno engulho


Julgo que lhe chamam democracia.

E agora, Europa? Vamos aceitar que a Rússia exerça o seu poder geo-estratégico dentro das fronteiras da Europa. Ou vamos ter outra decisão unânime a revogar a anterior decisão unânime? Parece que sim. E onde fica o discurso do "não há alternativa?"

Se isto pega por cá ... 

Marco Capitão Ferreira

Um Governo perdido do seu país ...


Quando trabalhadores e empregadores concordam em rever o salário mínimo, porque já perceberam que é preciso travar o empobrecimento de quem trabalha sob pena de matar também as empresas o que faz o Governo?

É contra. Contra. A ideologia cega mesmo ...

Marco Capitão Ferreira

Más ideias propagam-se depressinha ...


Temo o pior. 18 mil milhões de tentações para o Governo ...

segunda-feira, 18 de março de 2013

Em Chipre?



A Europa “está a trilhar caminhos muito perigosos” em Chipre, avisa Cavaco.

Em Chipre. Temos um Presidente que vê claramente lá fora mas insiste em não ver cá para dentro. Os portugueses já perderam, especialmente os que trabalham, muito mais do que 10% do seu rendimento.

Marco Capitão Ferreira

Duas palavras ...

Risco sistémico. A Europa está entregue à insensatez.

Marco Capitão Ferreira

sábado, 16 de março de 2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Leituras do dia ...


When neoliberalism exploded   

Um homem como medida dos outros


E que medida ... a pergunta de um milhão de euros: Quem é o Sousa Franco de Seguro?

É bem verdade, as pessoas fazem a diferença, ou melhor, só as pessoas fazem a diferença.

Felizmente, como todos os grandes homens, Sousa Franco soube deixar uma escola, uma ética, um corpo não organizado mas coerente de pensadores da coisa pública.

Muitos deles (não é o meu caso) já ameaçam transcender o mestre. E como ele gostaria de o ver acontecer, estou certo. 



terça-feira, 12 de março de 2013

Depósito


O artigo do Económico de ontem:




Há quem esteja muito contente com as notícias vindas de Bruxelas de que existe disponibilidade para, “em princípio, considerar” (expressão tão europeia) um ajustamento das maturidades dos empréstimos europeus à Irlanda e a Portugal, para suavizar as amortizações de dívida nos próximos anos.

E nós com isso? O que é que isso diz aos portugueses?

Esse passo é consequência de sermos bons alunos? É o que nos dizem, de lá e de cá. Mas não. O primeiro país a beneficiar de uma extensão destas maturidades foi o pior dos alunos, a Grécia. Que beneficiou ainda de uma série de outras medidas que não estarão, "em princípio, a ser consideradas". E que, essas sim, providenciaram alívio. E não estou a contabilizar o não pagamento de parte da dívida, opção que Portugal não quer - sendo coisa diferente se não será um dia destes forçado a ir por aí, depois de acumular recessão em cima de recessão.

Na prática, esta decisão permitirá evitar picos de refinanciamento em 2015-2016 e 2020-2021. Mas não liberta um euro para aliviar a política de austeridade recessiva, que gera mais austeridade, que gera mais recessão. É uma decisão que agrada, isso sim, aos credores privados. Ao diluir os picos de pagamentos da dívida à ‘troika' estamos a garantir melhores condições para reembolsar os outros credores, os privados. E eles perceberam.

Os mercados percebem sempre. A divida a 5 e 10 anos nos mercados baixou o juro pedido. Não é que a medida seja má. Repito, devia era fazer parte de um pacote mais completo que estendesse a Portugal as condições da Grécia, mesmo que apenas na parte em que não prejudicam os credores, com poupanças de quase 15 mil milhões de euros. Isso poderia fazer a diferença. Esta medida? Esta medida destina-se a proteger os credores e não os devedores. Por isso entusiasma o Governo. E os mercados. Se é que se distinguem.

É uma medida contabilística e não substantiva, financeira e não económica, que pensa em números e não em pessoas. Dali não virá um euro para combater o desemprego, para parar a espiral recessiva, para melhorar a vida das pessoas. Em suma, pobre e mal-agradecido? Até pode ser. Mas não é disto que precisamos.
Ou, pelo menos, não é só disto que precisamos.

Marco Capitão Ferreira

segunda-feira, 11 de março de 2013

Uma década já foi. Quantas mais?


Os dados do INE sobre a evolução da Economia trazem muita informação interessante. E alguma preocupante.

Tecnicamente, este é o nono trimestre consecutivo de quebra do PIB, que em termos reais atingiu no último trimestre de 2012 o seu valor mais baixo desde 2000. A queda em 2012 foi a maior desde 1975 (em pleno processo reovulcionário e verão quente, notar bem).

Em português escorreito: 12 anos depois voltámos para onde estávamos em 2000.

Para a minha geração, isto significa que tudo o que ajudámos a produzir desde o dia em que nos licenciámos evaporou-se. Um pensamento nada animador.