segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Passar do diagnóstico à acção


Proposta de revisão do mandato do BCE. Dirão que a Alemanha nunca o permitirá.

Três notas sobre isso: 1) a Alemanha não pode tudo, 2) seja na criação do FEE, seja nos perdões gregos, a Alemanha está farta de fazer coisas que nunca "permitiria"; 3) Se é para correr riscos e pagar o preço da ira alemã, que seja para uma solução definitiva e não para os remendos.

O mandato actual é rígido e considera o controlo da inflacção um fim em si mesmo, a não ser posto em causa nunca, mesmo que isso signifique recessão, desemprego e pobreza.

Está redigido assim:

"the primary objective of the ESCB shall be to maintain price stability. Without prejudice to the objective of price stability, it shall support the general economic policies in the Union with a view to contributing to the achievement of the objectives of the Union as laid down in Article 3 of the Treaty on European Union."

Já a Reserva Federal Norte Americana tem um mandato mais lato e com cambiantes, podendo adoptar formas diferentes de mix de políticas entre controlo da inflacção e estimulo ao crescimento económico, baixa do desemprego, etc.

O seu mandato diz que a reserva "shall maintain long run growth of the monetary and credit aggregates commensurate with the economy's long run potential to increase production, so as to promote effectively the goals of maximum employment, stable prices, and moderate long-term interest rates."

Embora não isento de problemas é evidente que este é um modelo muito mais capaz de lidar com a situação actual. Basta ver a forma como a Economia americana, que deu a origem à crise, foi a primeira a sair dela.

Equívocos


Quando a mesma pessoa diz "A ideia de que somos um país de baixos salários é simplesmente errada." e "Os salários em Portugal são demasiado baixos" e essa pessoa é Ministro da Economia não há alguém que lhe pergunte de qual das duas vezes está a falar a sério?

Até pode ser no formato debate, em que apresentamos o próprio (Os mitos da economia portuguesa, Lisboa 2007, p. 70) ao próprio. Seria interessante. Enfim, rigores ...



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O FMI a virar de bordo


Um apanhado que é verdadeiro serviço público (via Massa Monetária):

Sobre a austeridade pela austeridade, já para não falar em ir para além da troika, leitura indispensável:

1) Olivier Blanchard no artigo sobre multiplicadores orçamentais;

2) Fiscal Multipliers and the State of the Economy;

3) Public Debt Dynamics: The Effects of Austerity, Inflation, and Growth Shocks;


4) Successful Austerity in the United States, Europe and Japan
5) What Determines Government Spending Multipliers?
6) Walking Hand in Hand: Fiscal Policy and Growth in Advanced Economies

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

A ler ...


A visão monolítica que nos tem regido vai abrindo brechas e permitindo uma discussão mais ampla.

Perguntas que deviam ser feitas

Lendo hoje isto, tirado daqui:

Mas a essa hora Vilarinho já estava a salvo de poder vir a ser acusado por fraude fiscal ou branqueamento de capitais neste processo. Tudo porque o ex-presidente do Benfica se antecipou e aderiu ao RERT (Regime Extraordinário de Regularização Tributária), o programa que permitia a singulares e empresas regularizarem os capitais amealhados no estrangeiro – incluindo em offshores –, pagando apenas uma taxa de 7,5%.
O programa lançado pelo governo prevê que quem aderir não poderá ser acusado de fraude fiscal em inquéritos futuros: ou seja, o pagamento voluntário passa a ilibar o crime. A Operação Monte Branco foi noticiada em Maio. Logo a seguir, o governo lançou o RERT 3, que tinha como prazo limite a data de 13 de Julho. Segundo dados das Finanças, foram declarados ao abrigo desse programa 3,4
[mil] milhões de euros, que permitiram ao Estado arrecadar 258,4 milhões de euros em impostos.
 
 Lembrei-me deste texto, que escrevi há tempos:


Da inequidade fiscal

 
O mesmo país onde, de uma penada, os trabalhadores vêem a sua carga fiscal agravada em mais 7%, que se somam aos outros aumentos da taxa real de IRS para quem trabalha, bem como os aumentos brutais de IVA, IMI sobre habitação própria permanente, entre outros, continuam a existir situações inexplicáveis.


De forma pouco publicitada o Governo autorizou este ano o regresso à legalidade de valores ilegalmente detidos por cidadãos portugueses no estrangeiro. Já antes se tinha recorrido a este mecanismo. Mas a inequidade sente-se mais quando, como hoje, se fala de emergência social.

Cerca de 3,4 mil milhões de euros terão voltado ao abrigo deste mecanismo até ao momento.
 
E que taxa pagaram esses evasores fiscais, responsáveis, indirectamente, pelo facto de que os que não têm hipótese de fugir aos impostos (entre os quais os funcionários públicos são os que mais sofrem) terem de suportar, sózinhos, mais e mais impostos?
 
Não me chocaria que fossem 100% dos valores em causa, com amnistia quanto às multas e juros de mora.
 
Afinal, se um cidadão usar um carro para cometer um crime o Estado, e bem, pode ficar com ele. Porque não aplicar o mesmo a capitais judiciosamente colocados no estrangeiros precisamente para evitar o pagamento de impostos?

Mas pronto, talvez 46,5%, a taxa máxima de IRS para quem declara redimentos do trabalho talvez ainda fosse justo. Menos justo, mas ainda assim justo …

Vamos dizer que este contribuintes que durante anos tiveram o dinheiro lá fora sem pagar impostos pagam agora pelo escalão normal de IRS em que se insiram … de 11,5% até 46,5%.

Parece benevolente demais? Pois bem, estes contribuintes pagaram 7,5%, uma taxa de IRS abaixo da taxa efectiva média cobrada aos demais contribuintes, nestes se incluindo os milhares que ganham 750€ ou menos por mês.

Que isto se passe à luz do dia, sem que ninguém se insurja, diz mais sobre nós do que sobre os que ousam fazer-nos isto. 

Da leveza do jornalismo


Facto: A Itália colocou dívida com juros mais baixos na primeira operação depois de se saber da saída de Monti.

Conclusão do jornalista: "Leilão de títulos de curto prazo sugere que surpresa da demissão antecipada de Monti terá sido já diferida pelos investidores.".

Se os juros tivessem sido mais altos qual seria a conclusão? A inversa, pois claro. os mercados têm sempre sempre razão ...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

domingo, 9 de dezembro de 2012

Evidências

Que é importante salientar e manter sempre presentes. Estamos a falar de um em cada quatro euros estar fora do sistema fiscal.

"Economia subterrânea e paralela é 25% do PIB português"

(http://m.dn.pt/m/newsArticle?contentId=2935714&related=no)

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Privatizações



Ainda ontem o IDEFF promoveu mais uma conferência cheia de actualidade. Sobre as privatizações e a necessidade de serem discutidas.

Não posso deixar de me lembrar do muito que lá se disse, a começar por isto, ao ver a oferta pela TAP.

Falta muita informação, e a culpa é de quem a devia disponibilizar mas assim de repente, 500 milhões ... não paga os aviões.

A decisão financeira pública tem de ser clara, transparente e cognoscível.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Políticas contra e pró cíclicas



Dados da OCDE mostram a diferença entre 2009, em que aplicámos medidas contra-cíclicas (à custa de um aumento de dívida pública, não há almoços grátis ...) e conseguimos conter a recessão económica bem abaixo da média europeia e os anos de 2011 a 2013 em que estamos a aplicar medidas pró-cíclicas.

Clarinho, não? Não é por acaso que o tema da convergência com a Europa deixou de ser falado pelos decisores políticos. Estamos a divergir ano a ano.




Opinião Pública


No Diário Económico de hoje:

A lei do Orçamento vai parar ao Tribunal Constitucional. É certo que as normas podem, ou não, vir a ser consideradas inconstitucionais. Resta o quando. Devia ser já. A incerteza é o pior cenário.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Evolução do desemprego e o OE 2013


Este é um dos aspectos mais preocupantes quanto à execução orçamental. Porque o aumento de desemprego, para além do brutal custo social, tem uma dupla consequência negativa para as contas públicas.

Menos receita directa (IRS), menos receita indirecta (o desempregado consome menos - IVA, ISP, etc.), menos receita para a seguran social (contribuições trabalhador e empregador) e mais despesa (subsídio desemprego, etc.).

O OE para 2013 está construído com base numa previsão de 16,4% de taxa máxima de desemprego no final de 2013 (Relatório OE, pp. 28).

O INE calcula, hoje, que a taxa já estava, em Outubro de 2012, quando o OE foi entregue na Assembleia, em 16,3% (Diário Económico).

Probabilisticamente, hoje mesmo, já ultrapassámos os 16,4%. É por estas e por outras que o OE 2013 é absoluta e matematicamente incumprível. E que devemos, fora da apreciação de cada caso concreto, começar a ter uma conversa séria sobre o processo de elaboração dos pressupostos macro-económicos do OE. Alguma coisa estamos a fazer mal, e já há muitos anos. Nota-se é mais em alturas de crise.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Solidariedade Europeia - alguma vez existiu?


A história do resgate a Espanha confunde.

Aparentemente, não só o juro a aplicar é muito mais baixo do que o nosso (menos de 1%?) como o capital não contará para a dívida pública. Só os juros contarão para o défice. É extraordinário.

São bancos nacionalizados. Vão receber fundos europeus. Coisa que, quanto à CGD, nos foi dito que era impossível fazer com fundos do resgate. Porque era público. Tivémos de injectar fundos públicos "comprados" a 3 ou 4%. Dois pesos, duas medidas.

O comunicado da Comissão não é claro quanto a este assunto.

Em Portugal, não só contabilizámos a totalidade dos 12 MM€ destinados à Banca como estamos a pagar juros sobre a totalidade do valor pese embora 7,5 MM€ estejam depositados no Banco de Portugal, que é, como sabemos, parte do BCE.

Há aqui demasiadas partes que não se compreendem. Talvez a nossa imprensa possa um dia destes, como se chama, fazer jornalismo e esclarecer estas coisas todas.

Mas o que não se compreende mesmo é que Gregos, Espanhóis, Irlandeses e Italianos negoceiem furiosamente e obtenham resultados e Portugal, até agora, se tenha limitado a benificiar, na medida em que tal nos é oferecido, das conquistas de outros.

Sou a favor de exigir a solidariedade europeia que nos é devida e não está a ser praticada. Mas o que estamos a fazer por nós próprios?

Contributo para a discussão das propinas no ensino


A discussão ontem lançada para a praça pública, sobre o aumento do pagamento directo (e não, como actualmente, por via dos impostos) com os custos da educação não superior leva a problemas evidentes de constitucionalidade, como dá conta o Diário Económico, citando o Professor Bacelar Gouveia.

Para quem se lembra, esta discussão ocorreu já nos anos 90, a propósito do ensino superior.

É verdade que a situação não é a mesma mas acho importante recordar, até porque é por aí que o Tribunal Constitucional vai começar, se for chamado a pronunciar-se, o Acórdão  n.º 148/94 que, entre outras coisas, esclarece:

Tudo passa pelo entendimento da incumbência do Estado em estabelecer «progressivamente a gratuitidade de todos os graus de ensino» [n.º 3, alínea e)], inserida no direito fundamental ao ensino «com garantia do direito à igualdade de oportunidades de acesso e êxito escolar» (n.º 2 do mesmo artigo 74.º) e perfilada com a Universidade que a CRP retrata. Incumbência que é instrumental relativamente à garantia prevista na alínea d) do n.º 3: «Garantir a todos os cidadãos, segundo as suas capacidades, o acesso aos graus mais elevados do ensino, da investigação científica e da criação artística».
Seja qual for o exacto sentido e alcance do princípio da progressiva gratuitidade do ensino superior público, o que ele, seguramente, não impede ou proíbe é que o valor das propinas, fixado em 1941 e mantido em 1973, seja actualizado em termos que adiante se dirão. Ou seja: a CRP não impede ou proíbe que o legislador ordinário ponha termo ao congelamento dos valores das propinas; proíbe-lhe apenas que, desse modo, subverta o funcionamento de um sistema de ensino público, claramente definido na mesma CRP.
 
 

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Tréplica


Uma das vantagens da blogosfera é podermos ter aqui a continuação de conversas iniciadas noutros locais.

Este post é um follow-up do autor deste artigo no Diário Económico ao que escrevo hoje no mesmo jornal. Não por acaso, em colunas opostas.

O desafio, que se aceita com gosto, é defender a minha afirmação de que "Os ajustamentos pró-ciclicos, palavrão que quer dizer juntar à recessão económica uma contração da despesa pública, nunca funcionaram. Nunca. Em lado algum."

A crítica, em suma, é esta:

"As palavras são fortes, com impacto, mas parece-me que acertam ao lado da principal questão e não correspondem à realidade. A contracção da despesa pública (infelizmente inferior à desejável) surge como resposta a défices orçamentais exagerados e a um nível incomportável de dívida pública. Quanto ao impacto de uma política de consolidação orçamental baseada na redução da despesa, sugiro a consulta destes três estudos" (ver links dos estudos no post original)

Com a devida vénia, nenhum dos estudos invocados me convence.

Em primeiro lugar, é importante referir que as entidades que originam aqueles estudos, o FMI, o BCE e o Banco de Portugal estão intimamente associados às decisões políticas em execução na Europa e em Portugal.

Em segundo lugar, e como é natural nestas situações, nenhum daqueles estudos trata exactamente a situação em que estamos nem nenhum deles é tão linear quanto as citações escolhidas podem levar a pensar. Esse é o eterno problema quando se cita uma pequena frase de um documento complexo.

Basta dizer que os mesmos três estudos dizem também (e uso a mesma ordem) coisas como, e as minhas escolhas são também elas afectadas pelo mesmo problema que já assinalei:

1) "a redução da dívida pública é penosa para as economias com menor crescimento, uma vez que pode implicar uma redução da atividade económica e do bem-estar no curto prazo". E mesmo que se acredite que no longo prazo a situação se inverte ... bem ... no longo prazo estamos todos mortos (sim, Keynes, enquanto ainda não é ilegal citá-lo).

2) "In such circumstances, debt consolidations should rely on a combination of improvements in the primary balance and sustained economic growth." ... ora nós não só não temos a segunda condição como estamos naquilo que acredito ser uma espiral recessiva. E isso inquina as conclusões que ali se tiram.

3) " In this environment, the costs and benefits of consolidation need to be assessed from a
comprehensive perspective." Resta dizer que o documento acaba por só avaliar os ditos benefícios sem cuidar dos custos.

E é igualmente possível, naturalmente, encontrar opiniões avalizadas em contrário:


1) O próprio FMI (WP/12/190, IMF Working Paper Series) quando diz que: “The analysis
in this paper shows that withdrawing fiscal stimuli too quickly in economies where output is
already contracting can prolong their recessions without generating the expected fiscal
saving.”

2) Em relação especificamente a Portugal Paul de Grauwe, em entrevista à SIC-N (ver aqui) disse "Portugal não vai conseguir sair da crise enquanto o Governo continuar a aplicar sucessivas medidas de austeridade." (via corporações).

3) Paul Krugman explica igualmente que "Maybe it was always thus, but the relentless wrong-headedness of the Europeans, their insistence on seeing their crisis as something it isn’t, and responding with actions that deepen the real crisis, has been a wonder to behold. In the 1930s policy makers had the excuse of ignorance; there was nobody to explain what was happening. Now, their actions amount to a willful disregard of Econ 101."


E inúmeros papers se podem citar. Não vou maçar ninguém com isso (1).

No fundo, a "justeza" da minha afirmação pode ser questionada - era o que faltava - mas a contrária também.

Os argumentos contra e a favor podem ser trazidos para a realidade. Em 2012 esta mesma política não resultou. Perdemos PIB, gerámos desemprego, aumentámos a dívida pública, continuamos com um défice elevado, continuamos a aumentar impostos em cima de impostos.

E se é verdade que "we cannot tax our way to prosperity" como se diz na política americana também não é menos verdade que não podemos cortar o estado social e esperar uma sociedade justa e onde o futuro é algo que se anseia, ao invés de se temer.

No fundo, quer se goste da água mais salgada ou mais doce (para perceber esta referência ler aqui) todos sabemos que a política seguida em Portugal é pró-cíclica porque aumenta impostos e corta despesa social ao mesmo tempo. E isso, convenhamos, é uma bebida nova e, pelo que dá para perceber, com o pior dos dois mundos.

Quem é mais liberal (e estou aqui a arriscar uma classificação) não consegue viver com impostos a este nível mas vê com bons olhos o corte da despesa pública. Quem é menos liberal também não consegue explicar como é que diminui o papel do Estado mas ainda assim nos pedem impostos a este nível.

(1) Porque este é, também, um blog de estudo e porque os dois discursos às vezes se prejudicam em objectividade, hesitei em acrescentar esta nota. Mas ela aqui fica, em aditamento ao post original. Outras leituras que julgo úteis nesta matéria, para além das citadas: "Fiscal consolidation under fixed exchange rates", Paola Caselli, Research Department, Bank of Italy;  Roberto Perotti, "Fiscal Consolidation in Europe: Composition Matters", The American Economic Review, Vol. 86, No. 2; Freddy Heilen et al, "Success and failure of fiscal consolidation in the OECD: A multivariate analysis", Public Choice n.º 105: 103–124, 2000; Devries P, J Guajardo, D Leigh, and A Pescatori (2011), “A New Action-based Dataset of Fiscal Consolidation”, IMF Working Paper No. 11/128, IMF; Alesina, A, C Favero, and F Giavazzi (2012), “The Output Effects of Fiscal Consolidations”,CEPR Discussion Paper 9105, August; Romer, C and DH Romer (2010), "The Macroeconomic Effects of Tax Changes: Estimates Based on a New Measure of Fiscal Shocks", American Economic Review, 100(3):763-801.

Opinião Pública


Entre outras coisas (as que cabem), isto:

Os ajustamentos pró-ciclicos, palavrão que quer dizer juntar à recessão económica uma contração da despesa pública, nunca funcionaram. Nunca. Em lado algum. E também não vão funcionar em Portugal em 2013. Como não funcionaram em 2012. Infelizmente, é fácil acertar esta. Costuma dizer-se que insanidade é fazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes. A não ser, claro, que o resultado pretendido sempre tenha sido este.