sábado, 24 de novembro de 2012

A presciência do Conselho Consultivo da PGR



O Ministro da Administração anunciou, em 2012, agora mesmo que vai pedir um parecer à PGR sobre esta coisa complicadíssima das imagens brutas e editadas e se a polícia lhes pode ter acesso.

Ora sobre o assunto já a PGR explicou tudo ... em 1996. Não há juristas no MAI?

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O futuro ... não está animador. E não estamos a falar de 2013


Na actual situação de crise e incerteza perdemos por vezes a capacidade de percepcionar o amanhã.

Um dado importante para percebermos a tendência futura de uma economia é saber como estamos de formação bruta de capital fixo (FBCF). Neste caso, medida em percentagem do PIB.

Ou seja, quanta da riqueza produzida estamos a aplicar nas condições futuras para produzirmos mais riqueza (que inclui mas não se limita à FBCF)

O que mede? Mede os bens duradouros (utilização superior a um ano) adquiridos por unidades produtoras residentes destinados a serem usados no processo produtivo. Por exemplo, máquinas. E sem capacidade produtiva instalada a recuperação económica é mais difícil. Também mede habitação, o que distorce um pouco a análise, mas enfim, não há indicadores perfeitos.

Bem podemos falar de reindustrialização, mas os últimos 10 anos foram sempre a baixar (carregar para ver detalhe) e isso não augura nada de bom:



É cada vez mais com isto que nos temos de preocupar. Porque, convenhamos, o PIB deste ano e o do próximo ano já não têm grande salvação. Talvez o de 2020 tenha. Mas vai ser dificil ...

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A UTAO e o OE 2013


O documento merece ser todo lido (disponível aqui) nomeadamente quando aborda os pressupostos macro-económicos e trata a agora famosa - e controversa - questão dos multiplicadores orçamentais (pp. 13 e ss.).

Mas esta passagem faz pensar muito sobre a qualidade metodológica do processo orçamental, uma preocupação que os cultores das Finanças Públicas vêm expressando há anos:


"Face à previsão do PAEF para 2013, o relatório do OE tem inscrito menos 1,1 mil M€ em receita de capital e menos 1,1 mil M€ em "outra despesa de capital". Não se encontra justificação para tão significativas diferenças entre dois documentos apresentados sensivelmente na mesma altura. Ainda assim, recorde-se que é na componente "outra despesa de capital" que, em contas nacionais, é abatido o encaixe financeiro de algumas operações como, por exemplo, a venda de concessões. Tal como referido na nota de rodapé n.º 40, a previsão para 2013 contempla pelo menos o encaixe com a concessão de exploração de portos (227 M€ em contabilidade pública)."

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Será desta que a Europa se mexe?

 
A estratégia, errada, e originalmente franco-alemã, de que os especuladores se satisfariam em atacar a periferia, e que a periferia lhes deveria ser sacrificada no altar da austeridade começa a perder tracção.
 
 
Quem se segue? Espanha, claro, Itália, obviamente, Holanda e depois ... Alemanha.
 
Um destes será a gota de água que levará a Europa a finalmente agir? Esperemos bem que sim 
 
 

The time-bomb at the heart of Europe
Próximo?


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Resultado da 6.ª avaliação da troika


O novo banco para financiar a Economia significa, muito provavelmente, que a CGD vai ser privatizada.

Uma opção que é díficil discutir sem dados.

domingo, 18 de novembro de 2012

À vista desarmada


Já se sabia que as previsões da troika sobre a evolução do PIB estão completamente erradas desde o primeiro dia, não se sabia era que estavam tão erradas.

Mesmo tendo em conta a falibilidade deste tipo de exercícios houve aqui qualquer coisa que falhou tremendamente.

Provavelmente, a troika não contava que o Governo fosse além da troika, isto é, que houvesse uma soma avassaladora de medidas pró-cilicas e uma quase total ausência de políticas contra-cíclicas. aquilo que politicamente ficou conhecido como "ir além da troika".

O resultado é este: estava previsto retomarmos o PIB de antes da crise de 2008 em 2016; na revisão de Outubro deste ano em 2016 estaremos ainda 4,2 pp abaixo do nível de 2008.

E só deveremos retomar o nível, na melhor das hipóteses, em 2020. Ou, se continuarmos a insistir em políticas pró-ciclicas, mais tarde ainda.

Este gráfico, do Conselho de Finanças Públicas (pp. 16 do documento), é esclarecedor:

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Assim não vamos lá


Às vezes os números falam sózinhos ... no Público de hoje (apanhado aqui):


Opinião Pública


No Diário Económico de hoje. Sobre o que podemos esperar da 6.ª avaliação do memorando. Antecipando: Mais do mesmo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Para quem quer aprender Finanças Públicas


Tem imensas limitações mas este simulador, que eu saiba, não tem paralelo e é uma interessante ferramenta de aprendizagem.

Dá pelo menos para perceber que um Orçamento de Estado é feito de milhares de escolhas, nenhuma delas fácil.

É uma enorme pena não ter um módulo para "corrigir" os pressupostos macro-económicos.

Se tivesse, permitiria fazer uma análise de risco (ou sensibilidade, se preferirem) caso, por exemplo, o PIB caia mais que o previsto, o desemprego suba mais, as exportações caiam e o consumo interno diminua.

A dificil arte da previsão orçamental


É verdade que fazer previsões em matéria orçamental é um exercício tão arriscado quanto prever o tempo no próximo dia 17 de Junho numa dada rua na capital da Nova Zelãndia.

Mas é possível perceber tendências.

Se este ano o défice vai ficar muito acima do previsto, se o desemprego já ultrapassou o limite previsto para o final do ano e se a queda do PIB é maior que a esperada, o que intriga qualquer um é como é que é possível não considerar esses factos no desenho do cenário macro-económico do OE para 2013.

Com isto se conclui ... ainda não foi aprovado e o OE para 2013 já está em "derrapagem".

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Uma zona monetária é um casamento


E, logo, quando as coisas não correm bem, há sempre culpas a distribuir.

Não por acaso, das da Alemanha tem-se falado pouco. Paul De Grauwe vem equilibrar a conversa, e de que maneira.

É que se a Sul se gastou mais do que se devia, a Norte emprestou-se mais do que se devia. Para que o Sul comprasse produtos ao Norte. E para escoar liquidez, a alternativa era ter permitido uma inflacção alta na Alemanha, como consequência do afluxo de dinheiro.

Simples ... Culpa de quem? Bom, é como num casamento ...

domingo, 11 de novembro de 2012

Ainda sobre o tamanho do Estado Social


aqui se tinham visto números que dizem que o nosso Estado Social não é exagerado por comparação com a média europeia a 27. Aliás, estamos umas décimas abaixo da média.

Usando outra metodologia (daí os valores um pouco diferentes) a OCDE vem agora dizer que a nossa despesa social ronda os 25,4% do PIB, que comparam com os 24,1% em média dos 21 países da UE que também são membros da OCDE.

Tendo em conta que o nosso PIB está a cair eu arrisco que, estruturalmente, estamos na média ou abaixo da média em termos estruturais, excluindo o efeito contigente da quebra do PIB.

É importante ter isto presente quando se fala sobre "reestruturar", "refundar", "modernizar" ou o que quer que seja que se queira fazer ao Estado Social. o que, em si mesmo, é legitimo.

Podemos e devemos sempre discutir sobre o papel do Estado, ou seja, o que queremos nós do nosso Estado. As políticas públicas não são imutáveis nem há vacas sagradas. Mas são decisões de alguma importãncia.

Levámos três décadas a chegar à média de despesa com protecção social dos nossos parceiros mais próximos ... convinha que não mudássemos de rumo em três ou quatro meses (entre Novembro e Janeiro/Fevereiro, datas das duas próximas avaliações do Memorando com a "troika").

Há matérias que se dão mal com os tempos políticos. A pressão destes leva a decisões amadoras, infundadas e, a longo prazo, muito muito caras.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Euro, Inglaterra e Estados Unidos


Uma das maneiras mais fáceis de explicar porque é que o BCE não se assemelha mais à Reserva Federal ou ao Banco de Inglaterra no tipo de intervenção que faz, o que por sua vez explica porque é que eles estão a sair muito melhor da crise e nós ainda não lhe vimos o fundo é simples.

Tão simples quanto isto ... enquanto o BCE é monomaníaco pelo controlo da inflação (em homenagem ao trauma alemão de há mais de 80 anos, cuja garantia de não repetição  é mais importante para eles do que o sofrimento de hoje de todos os outros povos europeus) os outros bancos centrais têm objectivos mais equilibrados e multifacetados, por exemplo, controlo da inflação e nível de crescimento.

Isto permite-lhes ajustar a política monetária em função da situação económica. Em tese, o BCE não pode. Desde que a inflação ronde os 2% está tudo bem, mesmo que o desemprego aumente, a riqueza criada desça e a pobreza se instale. Em bom rigor, para garantir que a inflação ronda os 2% se preciso for mata-se o crescimento, gera-se o desemprego e fomenta-se a pobreza. É isso que monomaníaco quer dizer.

Resultado? Usando a expressão anglo-saxónica, que me parece apropriada, no contexto do combate à crise, "it's like taking a knife to a gun fight". Por isso eles estão a ganhar aos especuladores e nós não.

Só para termos uma ideia, eis a diferença entre o músculo exercido no mercado pelos bancos centrais americano e inglês e pelo BCE (já corrigidas, porque em percentagem do PIB, dados da União Europeia)



Mensagens quase subliminares


O Banco Central Europeu aderiu à moda?

A Economist acha que sim ... "And the €5 banknote, the first of a new series, may be more important than it seems. After ten years of depersonalised and denationalised images, featuring bridges and arches, the ECB has finally found a person it can feature: the mythological Europa, based on a 2000-year-old image on a Greek vase in the Louvre. How could Greece be pushed out of the euro once that note is circulating?".

Curiosidades à parte, o BCE de hoje não tem nada a ver com o BCE de ontem. Os Estatutos, tantas vezes invocados para não agir, são os mesmos, mas o Governador não. E isso faz muita diferença. Lição para juristas escrevinhadores de leis (nos quais me incluo): as pessoas, no fim, depende sempre das pessoas. As pessoas certas endireitarão as regras tortas e as pessoas erradas entortarão as regras certas.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Dívida, crescimento e economia paralela


Na discussão pública vemos muitas vezes a qualidade da discussão limitada pela falta de explicações simples sobre certas coisas.

Por exemplo, os cerca de 120% de dívida pública com que fecharemos 2012 são um ratio, comparando o stock de divida directa do Estado no fim de um dado período (tipicamente, o ano) sobre o PIB do mesmo período.

Se o PIB tivesse crescido anualmente uns modestos 2% desde 2000 até à crise aquele mesmo ratio, devendo nós os mesmo euros hoje, seria de perto de 100%.

Se o PIB contasse com aquilo que se estima serem qualquer coisa como 20 a 30% de economia paralela (que não aparece no PIB) e tivéssemos tido os mesmos 2% de crescimento ao ano desde 2000 seria de menos de 80%. Devendo nós, repita-se, os mesmos euros que devemos hoje.

Portanto, quando se fala de sustentabilidade da dívida pública, era bom falarmos sempre sobre todos os factores que o afectam e não apenas um: o montante de dívida.

Mas não é nada disto que se ouve por aí. Como é que isto se relaciona com a discussão que aí vem sobre o tamanho do Estado? Como não? É o que é absolutamente fundamental. Cá voltaremos.

Quem são os pensionistas?


Muitas vezes por culpa da comunicação social, e da sua predilecção por manchetes que começam com "pensões douradas", cria-se a convicção de que os nossos reformados estão todos a viver com pensões desafogadas.

Pese embora uma notável progressão a verdade é que 79,7% dos reformados em 2011 (eram mais de 90% há 20 anos) tinham pensões abaixo, repito, abaixo, do salário mínimo nacional (485€).

Mesmo tendo em conta que o salário mínimo teve uma evolução acima da inflação, se este é o Estado Social que não podemos pagar, a discussão é bem mais aguda do que alguns pensam.

Fonte: Pordata  


 
 

Importantes pistas


Privatizações e interesse público ou "pagar para vender". Nem mais.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Capturas


Para quem sabe o que é a captura do interesse público e tem memória ...

Qual é a única entidade privada nacional que investiu brutalmente no sector do cloud computing?

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dos números ...


Temos protecção social a mais em Portugal? Ou crescimento a menos?

Dados da Prodata: